Mapa de Uso e Ocupação do Solo: Um Guia Para Iniciantes
Se você trabalha com geoprocessamento, eventualmente irá se deparar com demandas de serviços para criação de mapas de uso e ocupação do solo.
Esta é uma tipologia de serviço bastante comum para profissionais da área, estando diretamente ligada a diferentes setores da economia e apresentando muitas frentes de atuação.
Se você deseja saber um pouco mais sobre este assunto, neste artigo iremos trazer um guia para iniciantes, abordando as principais questões que envolvem a criação de mapas de uso e ocupação por meio de GIS.
O que é um mapa de uso e ocupação do solo?
Um mapa de uso e ocupação do solo pode ser definido como sendo uma representação espacial de determinada área, com indicações de como esta área está sendo utilizada e quais são as feições que a representam.
Por exemplo, ao criar um mapa de uso e ocupação em uma área rural, iremos demonstrar por meio de um mapa quais áreas são destinadas à agricultura, pastagem, cobertura vegetal, rios, lagos, nascentes, construções, estradas, entre outros elementos.
Essa tipologia de mapa é essencial para entendermos como diferentes áreas de determinada região são utilizadas e como estas áreas se relacionam entre si.
Cabe destacar que além de ser uma ferramenta qualitativa, os mapas de uso e ocupação de solo também apresentam caráter quantitativo, permitindo a medição exata de quanto cada feição representa de determinada área.
É por meio dessa tipologia de mapa que identificamos o percentual de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) em procedimentos de regularização ambiental de propriedades rurais, sendo uma ferramenta essencial para o monitoramento ambiental.
Outras aplicações envolvem o planejamento territorial rural ou urbano, avaliação de impactos ambientais, criação de planos de recuperação de áreas degradadas, identificação de áreas de risco, entre muitas outras aplicações.
Entendeu o que é um mapa de uso e ocupação do solo? No próximo tópico, iremos abordar quais etapas envolvem a criação dessa tipologia de mapa.
Quais etapas envolvem a criação de um mapa de uso e ocupação do solo?
Para criação de um mapa de uso e ocupação do solo, o primeiro passo está relacionado à coleta de dados. Esta etapa pode ser realizada de muitas maneiras, com coleta de coordenadas geográficas em campo utilizando receptores GNSS RTK/PPK, utilização de imagens de satélite e/ou por meio de levantamentos aéreos com drones.
Cabe destacar que a tipologia de dado utilizado irá afetar diretamente a qualidade do mapa e deve ser escolhida de acordo com o a escala, objetivos, detalhamento e tipologia de informação que se deseja obter.
Enquanto imagens de satélite apresentam ampla cobertura, facilidade e menor custo de aquisição, elas também irão apresentar menor resolução espacial, podendo comprometer o detalhamento do mapa. Essa tipologia de dado é recomendada para projetos em grande escala.
Por outro lado, imagens obtidas por drone apresentam uma menor cobertura e um maior custo de aquisição, entretanto, irão apresentar resolução espacial muito maior, sendo recomendadas em projetos que exigem um alto nível de detalhamento em pequena escala.
Após a coleta de dados, a segunda etapa para criação de um mapa de uso e ocupação do solo está relacionada ao pré-processamento de dados.
Nesta etapa, você irá realizar o recorte das imagens, correção de cores, alinhamento geométrico, normalização do sistema de coordenadas, entre outras adequações que se fazem necessárias para dar seguimento ao processamento de dados.
Na terceira etapa, você irá processar os dados por meio de softwares como o ArcGIS ou QGIS. Embora a delimitação das áreas possa ser feita de forma manual, é mais comum a utilização de ferramentas de classificação supervisionada ou não supervisionada.
Na classificação supervisionada, o profissional de geoprocessamento realiza a amostragem de pixels que representam determinada feição.
Por exemplo, para que o software identifique áreas com cobertura vegetal, podemos treiná-lo mostrando exemplos de pixels que representam áreas com determinada tipologia de vegetação, como florestas ou áreas agrícolas.
A partir dessa amostragem, o software aprende os padrões espectrais de cada categoria e aplica essa classificação a toda a imagem, separando automaticamente os pixels de acordo com as classes definidas.
Por outro lado, na classificação não supervisionada, não treinamos o software previamente e ele realiza a classificação agrupando pixels que apresentam comportamento espectral semelhante.
Embora seja mais simples, essa tipologia de classificação está mais sujeita a erros e normalmente exige correção manual após o processamento dos dados para identificar e corrigir possíveis erros de classificação.
Após a classificação, a quarta etapa consiste em organizar o mapa em camadas temáticas e prepará-lo para exportação. Essa etapa inclui a geração de legendas, cores, símbolos, escalas, mensuração de áreas e qualquer outra ferramenta voltada para que o mapa seja capaz de dar subsídios para a tomada de decisão.
No próximo tópico, iremos trazer um exemplo prático de mapa de uso e ocupação do solo em área rural, contendo todas as informações de interesse.
Quais informações devo inserir em um mapa de uso e ocupação do solo?
Abaixo, você irá encontrar uma exemplificação de mapa de uso e ocupação do solo produzido pela própria GeoSense.
De forma geral, um mapa de uso e ocupação irá conter todos os elementos fundamentais de um mapa, como escala, legenda, símbolos, indicação do norte geográfico, grade e sistemas de coordenadas, entre outras.
Se você não sabe muito bem quais são os principais elementos de um mapa, recomendamos que acesse o conteúdo da GeoSense intitulado “Elementos De Um Mapa: Um Guia Completo Para Iniciantes”.
No mapa acima, podemos observar todos esses elementos. Entretanto, o mapa de uso e ocupação de solo apresenta algumas peculiaridades que os diferenciam de outros tipologias de mapas temáticos.
Nesse tipo de mapa, é fundamental que a classificação das áreas seja representa de forma adequada aos objetivos do estudo. Além disso, é comum que cada classe venha acompanhada de informações quantitativas, como o tamanho absoluto ou o percentual em relação à área total.
Por isso, ao criar um mapa de uso e ocupação do solo, o profissional de GIS deve estar atento à escolha adequada de cores, símbolos e padrões que serão utilizados no mapa e não se esquecer de adicionar o quantitativo em área ou percentual que cada classe representa.
Por exemplo, para representar diferentes áreas de vegetação como áreas agrícolas, vegetação nativa, áreas de reserva legal ou áreas de preservação permanente, é comum que se utilize diferentes tons de verde na representação do mapa. Da mesma forma, feições relacionadas à hidrologia são comumente representadas utilizando diferentes tons de azul.
Além da escolha adequada de cores e símbolos, outro aspecto fundamental é a definição clara das classes que serão representadas no mapa. Essas categorias devem ser previamente planejadas de acordo com o objetivo do estudo.
Por exemplo, se desejamos realizar um mapa de uso e ocupação em uma área urbana, muitas vezes as classes que iremos incluir estarão relacionadas a áreas residenciais, comerciais ou industriais e não necessariamente relacionadas à vegetação ou hidrologia.
Por isso, é essencial que você esteja atento para ser capaz de inserir as informações de acordo com os objetivos do estudo. Embora pareça simples, muitos profissionais acabam se confundindo sobre quais categorias incluir e como representá-las.
Para que você seja capaz de criar mapas incríveis como o demonstrado acima, no próximo tópico, iremos conhecer os principais softwares utilizados para produção de mapas de uso e ocupação do solo.
Quais softwares são utilizados para criar mapas de uso e ocupação do solo?
Se você deseja trabalhar com mapas de uso e ocupação do solo, é imprescindível que tenha conhecimentos sólidos na manipulação de dados geográficos em softwares de GIS.
Os principais softwares utilizados são o ArcGIS Pro e o QGIS. Esses softwares são utilizados nas etapas que constituem o pré-processamento e o processamento de dados.
É por meio desses softwares que realizamos os recortes das imagens, correções de cores, classificação supervisiona ou não supervisionada, bem como, criamos o layout e adicionamos todos os elementos necessários ao mapa.
Além disso, ao utilizar imagens obtidas por drones, softwares como o Agisoft Metashape, o WebODM e o Pix4D são comumente utilizados para processar os dados obtidos pelo drone. Após o processamento, o trabalho continua no ArcGIS Pro ou QGIS.
Se você não possui habilidades na utilização dos softwares descritos acima, recomendamos que conheça os cursos profissionalizantes da GeoSense.
No curso de ArcGIS Pro, você irá encontrar um módulo especial voltado apenas para Mapas de Uso e Ocupação do Solo. Nele, você irá aprender como criar esse tipo de mapa do zero a partir de dados reais.
Você pode acessar o nosso módulo gratuito sobre ArcGIS Pro, clicando neste link.
Na GeoSense você aprende no seu ritmo, com suporte e acesso a materiais atualizados. Além disso, você pode acompanhar o nosso blog e acessar os nosso materiais gratuitos para ficar por dentro de tudo o que envolve a área de geotecnologias.

Conheça a GeoSense
Se você deseja trabalhar profissionalmente como ArcGIS Pro, não pode deixar de conhecer os cursos profissionalizantes da GeoSense.
Abaixo, você irá encontrar os cursos daGeoSense voltados para profissionais iniciantes ou experientes que desejam aprimorar o seu conhecimento em Geoprocessamento, Sensoriamento Remoto e Mapeamento Aéreo Com Drones.
Gostou do conteúdo? Curta, comente, compartilhe e não deixe de acompanhar o Blog da GeoSense para ficar por dentro do que há de melhor no universo dos drones e das geotecnologias.
