NDVI: O Que é, Para Que Serve e Como Calcular?
Se você trabalha com geoprocessamento e sensoriamento remoto, muito provavelmente já ouviu falar do termo NDVI.
NDVI é um índice comumente utilizado para monitorar áreas de vegetação, apresentando inúmeras aplicações para a agricultura de precisão e monitoramento ambiental.
Para ajudá-lo a ficar por dentro desse assunto, neste artigo iremos explicar em detalhes o que é NDVI, quais são as suas principais aplicações e quais são os princípios que envolvem a sua obtenção a partir de imagens de satélite ou drones.
O que é NDVI?
NDVI é uma sigla para Normalized Difference Vegetation Index ou Índice de Vegetação De Diferença Normalizada.
Este índice é utilizado para monitorar áreas de vegetação. O seu cálculo é baseado em princípios relacionados à assinatura espectral da vegetação, ou seja, na forma como as plantas interagem com a radiação solar em diferentes comprimentos de onda.
A partir do cálculo do NDVI, somos capazes de obter informações valiosas sobre a vegetação. Ele permite identificar com exatidão áreas com cobertura vegetal, bem como, avaliar a saúde de plantas e a fitofisionomia de áreas de vegetação.
As suas principais aplicações estão relacionadas à agricultura de precisão e ao monitoramento ambiental, sendo uma ferramenta indispensável para quem atua nestas áreas.
No próximo tópico, iremos explicar em detalhes os princípios matemáticos e fisiológicos que envolvem o cálculo do NDVI.
Como calcular o NDVI?
O cálculo do NDVI é baseado nas relações de absorção e reflexão de ondas eletromagnéticas pela vegetação. Na prática, ele utiliza duas faixas de comprimento de onda para ser calculado, o vermelho e o infravermelho próximo.
Enquanto o vermelho apresenta comprimentos de onda entre 600 nm e 700 nm, o infravermelho próximo estará contido entre 700 nm e 1100 nm.
Entretanto, os princípios por trás do cálculo do NDVI estão fundamentados em conceitos complexos de fisiologia vegetal. De forma simplificada, podemos entender esses princípios conforme explicado abaixo.
Durante a fotossíntese, a clorofila presente nas folhas irá absorver com muita intensidade ondas no vermelho (600 nm a 700 nm), sendo este processo fundamental para a fixação do CO2 e para a sua transformação em glicose pelas plantas. Cabe destacar que o processo de fotossíntese ocorre com maior intensidade em plantas saudáveis.
Por outro lado, a estrutura celular dos vegetais é responsável por refletir ondas no infravermelho próximo (700 nm a 1100 nm), com o objetivo de proteger a planta do excesso de calor e diminuir a evapotranspiração. Plantas saudáveis, irão refletir muita radiação infravermelha.
Uma vez que este comportamento espectral é único das plantas, o NDVI se torna uma ferramenta essencial para entendermos a vegetação a partir do sensoriamento remoto, permitindo não só identificar áreas de vegetação, como avaliar a saúde das plantas em relação aos processos de fotossíntese.
Em termos práticos, o NDVI é calculado a partir de uma imagem multiespectral obtida por satélites ou drones. Sobre cada pixel nesta imagem e considerando a reflectância das bandas do vermelho e infravermelho próximo, realizamos o seguinte cálculo:

Como interpretar o NDVI?
O NDVI irá variar sempre entre -1,0 e 1,0, permitindo classificar áreas de vegetação a partir dos resultados obtidos.
Para simplificar a interpretação do NDVI, podemos utilizar os seguintes parâmetros:
- -1,0 a 0: área sem superfície vegetal
- 0 a 0,2: área com superfície vegetal esparsa
- 0,2 a 0,5: área com superfície vegetal saudável
- 0,5 a 1,0: área com superfície vegetal densa e saudável
Entretanto, os resultados obtidos para o NDVI podem ser utilizados de muitas outras formas a depender dos objetivos de seu cálculo.
Por exemplo, podemos comparar áreas de cultivo, comparando os valores observados para cada pixel em uma imagem, de forma a estipular quais áreas são prioritárias para irrigação, adubação ou aplicação de defensivos agrícolas.
Ou podemos ainda utilizar apenas valores negativos e valores positivos, para identificar ou mensurar locais com vegetação e locais sem vegetação, sem especificar a densidade, saúde ou fitofisionomia de superfícies vegetais.
No próximo tópico, vamos entender com maior clareza para que serve o NDVI, explicando em detalhes as suas principais aplicações.
Para que serve o NDVI?
As principais aplicações do NDVI estão relacionadas à agricultura de precisão e monitoramento ambiental. Este índice é amplamente utilizado nestes setores para cumprir os mais variados objetivos.
Abaixo, você irá encontrar uma descrição das principais aplicações do NDVI.
- Monitoramento da saúde da lavoura: o NDVI permite identificar áreas com estresse hídrico, deficiências nutricionais ou ataques de pragas e doenças. Com essa informação, é possível agir rapidamente, direcionando irrigação, fertilizantes ou defensivos apenas para as regiões que realmente necessitam de intervenção. Isso ajuda a evitar desperdício de recursos e garante que a lavoura se desenvolva de maneira uniforme, melhorando a produtividade e a qualidade da colheita.
- Planejamento agrícola e agricultura de precisão: ao gerar mapas detalhados da vegetação, o NDVI auxilia os produtores a planejar manejos localizados. Por meio do NDVI, é possível definir quais áreas precisam de maiores cuidados, ajustar a densidade de plantio ou programar aplicações de insumos de forma localizada. Dessa forma, o NDVI contribui diretamente para o aumento da eficiência operacional e para a redução de custos.
- Monitoramento ambiental e conservação: o NDVI é essencial para acompanhar mudanças na cobertura vegetal, detectando desmatamentos, queimadas e áreas em regeneração. Pesquisadores utilizam esses dados para planejar ações de conservação, monitorar unidades de preservação e priorizar áreas para reflorestamento, garantindo a preservação da biodiversidade e a sustentabilidade dos ecossistemas.
- Estudos climáticos e de mudanças ambientais: por permitir a análise da vegetação ao longo do tempo, o NDVI auxilia em pesquisas sobre o impacto de eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes ou ondas de calor. Ele também é utilizado para monitorar efeitos de mudanças climáticas e alterações no uso do solo, oferecendo informações valiosas para estudos ambientais, planejamento territorial e políticas públicas.
Esses são apenas alguns exemplos de aplicações comuns do NDVI. No próximo tópico, iremos entender quando obter o NDVI a partir de imagens de satélite ou drones.
Quando obter o NDVI a partir de imagens de satélite ou drones?
Uma vez que o NDVI é calculado a partir de dados raster, ele pode ser obtido utilizando imagens multiespectrais obtidas tanto por satélite como por drones.
A principal diferença entre essas duas metodologias de obtenção de dados está ligada ao nível de detalhamento que é possível alcançar. As imagens obtidas por drones apresentam melhor resolução espacial, sendo capazes de calcular índices NDVI com maior detalhamento.
Entretanto, imagens de satélite podem ser obtidas de forma gratuita, o que as torna uma alternativa acessível para monitoramentos de larga escala, além de ser possível obter imagens em série histórica. Isso torna os satélites ideias para condução de estudos de monitoramento ambiental.
Por outro lado, drones oferecem maior nível de detalhamento, sendo ideias para condução de estudos voltados para agricultura de precisão e quando são necessárias informações com alto nível de detalhamento em pequena escala.
Ou seja, a escolha entre satélites e drones depende do objetivo do estudo, da escala da área e do nível de detalhamento necessário. Abaixo, você irá encontrar uma descrição dos principais pontos a serem levados em consideração ao optar por utilizar satélites ou drones para obtenção do NDVI.
- Quando utilizar satélites: satélites são indicados para estudos em larga escala, quando são necessários cobertura de grandes áreas e monitoramento ao longo do tempo. Plataformas como Sentinel-2 e Landsat oferecem dados gratuitos com frequência temporal, permitindo a construção de séries históricas e análises de tendências ao longo do tempo. Apesar da menor resolução espacial, sua capacidade de fornecer informações consistentes e acessíveis sobre grandes áreas, tornam os satélites ferramentas ideias para essas situações.
- Quando utilizar drones: drones são mais apropriados para estudos que exigem alta resolução espacial e monitoramento localizado. Eles são indicados para agricultura de precisão, manejo florestal, pesquisas em pequenas áreas e avaliação detalhada do vigor vegetativo de plantas individuais. A flexibilidade de programar voos, ajustar frequência de captura e escolher períodos específicos permite obter dados atualizados e precisos. Sensores multiespectrais acoplados a drones fornecem informações detalhadas que auxiliam em decisões pontuais, como ajustes na irrigação, adubação e controle fitossanitário. Embora envolvam custos mais elevados, drones oferecem um nível de detalhamento que não pode ser alcançado por imagens de satélite.
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